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Ao completar 31 anos, o Arte Pará se consolida como um dos pilares do cenário das artes visuais no EstadoNos últimos anos o Pará tem se firmado com um importante pólo de produção artística no Brasil.
O Salão Arte Pará, que comemora 31 anos de existência, é um dos pilares deste processo, estimulando e dando visibilidade à produção artística, ao mesmo tempo em que busca formar público para as artes visuais por meio de uma série de atividades educativas.
O artista plástico Armando Queiroz, curador assistente do 31o Arte Pará, observa que muitos artistas surgiram no salão ou
foram consolidando suas trajetórias simultaneamente a ele. Queiroz destaca ainda que o Arte Pará “é um laboratório vivo em que se deve colocar em prática a crítica e o estudo da arte. Um momento especial, que se bem aproveitado, pode oferecer subsídios para uma compreensão dos estados da arte”, como ele afirma na entrevista a seguir.

São 31 anos de Arte Pará. Como você vê a evolução do salão?
O Arte Pará inicia como um sonho vislumbrado por Romulo Maiorana, que sensivelmente percebeu o anseio dos artistas plásticos atuantes naquele momento. Sua importância foi sendo redimensionada a cada ano. Muitos artistas surgiram ali ou foram consolidando suas trajetórias simultaneamente ao salão, confundindo-se com o salão. Muitos críticos e curadores, artistas e estudiosos, locais ou de outros Estados e países, deixaram sua marca ao longo dos anos em que foi sendo demarcada a abrangência do evento. Contudo, imagino que já nasceu grande, ciente de sua rica e duradoura contribuição.

Qual seria a principal contribuição do Arte Pará para o cenário das artes no Estado?

Ao longo destes tantos anos o Arte Pará vem contribuindo fortemente para a discussão das artes visuais no Estado. A meu ver, é um laboratório vivo em que se deve colocar em prática a crítica e o estudo da arte. Um momento especial, que se bem aproveitado, pode oferecer subsídios para uma compreensão dos estados da arte. Não como parâmetro, simplesmente. Mas como uma das tantas possibilidades em eterno devir.

A fotógrafa Paula Sampaio é a convidada especial deste ano. Como você avalia, em resumo, a produção dela?

É admirável a maneira com que Paula Sampaio vem desenvolvendo seu trabalho artístico. Paira sobre sua produção a força da entrega e do comprometimento com aquilo que a impulsiona. Que seja sua própria existência confundida no percurso de tantos outros. Figuras, até então, enigmáticas e anônimas, mas que possuem a capacidade de traçar o perfil de tantos acertos e desacertos na história recente do país, sobretudo na Amazônia.

Além dar visibilidade aos artistas, o Arte Pará também realiza um trabalho educativo. Como aproximar o público das artes visuais?
Cada vez mais a questão do trabalho educativo vem sendo colocada como prioridade no Arte Pará. Hoje contamos com a experiência de Vânia Leal, que vem ao longo dos anos contribuindo com o amadurecimento deste aspecto tão importante. Este ano a meta principal é a consolidação das ações em conjunto com as unidades museais que abrigam o evento. Ações que permitam a integração do próprio salão em diálogo com os diversos percursos expográficos que serão oferecidos nos museus concomitantemente ao Arte Pará.

Na sua opinião, é possível dizer que existem características peculiares que marcam a produção artística no Pará? Como o artista visual paraense se insere no mundo? Qual seria a contribuição dele?
Estas são perguntas complexas que merecem respostas diversas, nenhuma delas excludentes ou prevalentes. Prefiro, pessoalmente, tentar perceber como este indivíduo sensível é movido pelos embates com sua própria realidade, sejam estes configurados mais localmente ou afinados com questões gerais que dialogam com a própria história da arte que atravessa o tempo e continentes. Logicamente não se espera que esta seja uma tradução direta de sua condição, mesmo que seja possível e reveladora, mas que também possua a dimensão poética do devaneio e do mistério. Muitas vezes maravilhosamente alcançados com plena singeleza, rés ao chão.

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Com curadoria de Paulo Herkenhoff, reconhecido internacionalmente por sua atuação no cenário das artes, o Arte Pará 2012 terá como convidados os fotógrafos Alberto Bitar e Guy Veloso e ainda a cineasta Jorane Castro e artista visual Berna Reale. A fotógrafa Paula Sampaio é a convidada especial e terá uma publicação sobre a sua obra, além da exposição de seus trabalhos.

Integram o júri do Arte Pará o professor da Universidade Federal do Pará e artista visual Alexandre Sequeira, o artista plástico cearense Yuri Firmeza, a curadora Clarissa Diniz, do Rio de Janeiro, e o artista plástico Delson Uchoa, de Maceió.

As inscrições são gratuitas e estão abertas até o dia 13 de setembro, pelo site WWW.frmaiorana.org.br ou diretamente na sede da Fundação Romulo Maiorana (Av. Romulo Maiorana, 2.473, Marco. CEP: 66093-005. Belém, Pará), de segunda a sexta, de 10h às 18h. Cada artista participante deverá obrigatoriamente inscrever três trabalhos. As obras serão julgadas entre os dias 15 e 16 de setembro.

SERVIÇO: 31O Salão Arte Pará. Inscrições até 13 de setembro. Seleção e Premiação: 15 e 16 de setembro. Abertura da mostra: 11 de outubro. Realização: Fundação Romulo Maiorana. Patrocínio: Supermercados Nazaré, Unimed Belém e Marko Engenharia.