
Alberto Bitar é um dos convidados especiais do salão
A obra do fotógrafo paraense Alberto Bitar é destaque na Bienal das Artes de São Paulo, o terceiro evento de arte mais importante do mundo. Numa retrospectiva de sua produção, Bitar expõe obras premiadas e duas séries inéditas no Parque Ibirapuera, de 7 de setembro a 9 de dezembro. Paralelamente, o artista faz uma exposição especial em Belém, como convidado do 31º Salão Arte Pará, realizado pela Fundação Romulo Maiorana. Composta por 33 fotografias e quatro vídeos, a mostra da Bienal percorre as mais de duas décadas de produção autoral do artista e terá obras desde “Solitude” (1992), primeira série de Alberto Bitar, passando por “Hecate” (1995/1997), “Passageiro” (1997/2001), “Ausência” (2003/2004) e “Efêmera Paisagem” (2007/2011). Esta última, que reúne imagens capturadas de dentro de um carro em movimento, evoca lembranças da infância. “Lembro das viagens que fazia com a família quando ainda era criança. Tenho a lembrança de ficar a maior parte da viagem observando a paisagem que ‘passava’; a faixa branca tracejada que parecia contínua e as pessoas e bicicletas que passavam à margem da estrada e pareciam borrões”, relembra Alberto Bitar. “Efêmera Paisagem”, que teve obras selecionadas para a coleção MASP/Pirelli de 2010, é desdobramento do vídeo homônimo, que também integra a exposição, assim como “Horizonte Artificial e um certo azul profundo”, filme que remete à época em que Alberto acompanhava o pai, que era piloto, em sobrevoos pela Amazônia. No Arte Pará, Alberto Bitar deve apresentar a série inédita “Completude”, sequência de “Sobre o Vazio” (2009/2010), trabalho que surgiu a partir da despedida do apartamento onde o artista morou com a família por mais de 25 anos. Ele diz que sempre pensou no salão como “uma possibilidade de experimentação, de colocar à prova ideias e conceitos”. “É uma oportunidade de se deixar avaliar por pessoas que pensam as artes visuais. Por isso acho tão importante o encontro com a comissão julgadora depois da seleção”, afirma ele, ressaltando ainda a importância do catálogo que, além de documentar as obras, traz todo o trabalho da curadoria.
RETROSPECTIVAPara compor a sala especial na Bienal de São Paulo, Alberto Bitar precisou fazer uma espécie de retrospectiva de sua carreira, e percebeu que existem mais diferenças técnicas do que de interesse ou pensamento, desde que começou a fotografar. “Comecei a utilizar a fotografia digital, que te dá um outro tempo de resposta e algumas facilidades e possibilidades que a fotografia analógica não davam, como subverter a utilização do balanço de branco. Passei também a utilizar o vídeo como um outro suporte para mostrar fotografia”, comenta. Atualmente Alberto Bitar se dedica a um novo trabalho, a série “Corte Seco”, em que cenas de crimes urbanos ganham um improvável registro poético. A nova série também traz consigo questões existenciais relacionadas a temas como memória e impermanência, a exemplo de seus trabalhos anteriores. Em “Corte Seco”, o olhar que documenta o transitório parece ter chegado ao cerne da questão: vida e morte. Tomando a obra do artista em perspectiva, Eder Chiodetto, fotógrafo e jornalista, consultor do Itaú Cultural, afirma: “Todos os trabalhos têm em si o DNA da ‘passagem’, que é talvez a palavra chave mais eloquente nos seus trabalhos. Podemos perceber isso no próprio movimento interno dos trabalhos: movimentos laterais (no carro), ascendentes (a morte), frontais – que vasculham a profundidade das imagens (partida), a passagem dia-noite, o caminhar da luz (ambientes, casa da sua mãe)… Esse ‘movente’ permanente cria uma conexão muito forte entre as séries do ponto de vista formal e expande a poética da fugacidade da vida, da efemeridade/afetividade dos registros fotográficos”.
SOBRE O ARTISTAAlberto Bitar nasceu em Belém, em 1970, e é formado em Administração pela Universidade da Amazônia (Unama). Em 1991, começou a fotografar por meio das oficinas da Associação Fotoativa. É gerente técnico de artes visuais do Instituto de Artes do Pará (IAP) e colaborador da Agência Kamara-Kó Fotografias.Participou de diversas coletivas, como Antarctica Artes com a Folha (SP, 1996), Veracidade (MAM-SP, 2006), Trilhas do Desejo (Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural, São Paulo, 2009) e Panorama da Arte Brasileira (MAM-SP, 2011). Entre suas exposições individuais, estão Passageiro (Galerias de Fotografia FNAC, Brasília, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, 2005), Efêmera Paisagem (Belém, 2009 e Centro Maria Antônia, SP, 2011) e Sobre o Vazio (Associação Fotoativa, Belém, 2010). Possui trabalhos nos acervos da Coleção Pirelli / MASP, dos Museus de Arte Moderna de São Paulo e da Bahia, da Fundação Biblioteca Nacional e do Sistema Integrado de Museus (SIM-PA). Recebeu premiações em seis edições do Arte Pará, além dos prêmios Funarte Marc Ferrez de Fotografia (2010) e Festival Cinema e Cidade (2008), entre outros.